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Vamos falar de... Bla bla bla

Vamos falar de... Bla bla bla

24
Set19

Vamos falar de...violência doméstica

A propósito do tema 2 do desafio dos pássaros: amor e um estalo...


Bla bla bla

Já todos sabem do Desafio dos Pássaros, certo?

 

Eu também estou a participar neste desafio e, ao mesmo tempo aceitei o desafio do Trip e o qual consiste em que todos os textos do desafio dos pássaros aludam também a uma temática sexual. Diversão a dobrar certo?!

 

No primeiro tema consegui-o falando de como os problemas e o sexo se correlacionam na minha vida (e como uso o sexo para resolver alguns problemas )

No segundo tema, que foi totalmente improvisado em cima do joelho, fiz uma espécie de anedota (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência!).

 

 

Contudo e ao ler os textos dos outros pássaros aqui da sapoesfera, não pude ficar indiferente ao facto de muitos terem optado por  abordar o tema da violência doméstica.

Felizmente há por aqui muita gente consciente que já não suporta continuar a fechar os olhos a este problema, a olhar para o lado, a fingir que não se passa, que está tudo bem, e que com os seus textos maravilhosos nos deram as mais variadas perspetivas sobre o tema.

 

 

Mas sempre que este assunto vem à baila, quer aqui quer noutro lado, eu fico com os nervos em franja. Porque invariavelmente há sempre alguém que pensa que é uma escolha.

Que a mulher podia fugir.

Pedir ajuda à família ou amigos.

Fazer queixa às autoridades.

Mas a verdade é que não é sempre assim.

 

Uma mulher que fica com um homem que a violenta não é porque o ama, é porque morre de medo dele.

Imaginem apanhar uma carga de porrada, ser enxovalhadas em insultos  e pensar "Se o deixo ele faz pior".

 

 

Mas as mulheres que sofrem de violência doméstica não são fracas. A maior parte dos homens que bate nas mulheres não bate nos filhos. Porquê? Porque sabe que isso seria o "breaking point" dela, porque elas estão dispostas a apanhar toda a porrada do mundo desde que os filhos estejam bem.

E estão vocês já a pensar nas crianças que veem tal violência... mas muitas crianças não veem porque a mãe não grita para não os acordar, fecha a porta para os filhos não verem, põe os fones com música nos ouvidos dos filhos para eles não a ouvirem chorar ou gritar.

 

 

E as pessoas à volta, a família, os amigos, que vêm as marcas de certeza que conseguem ajudar. Mas muitas vezes as mulheres não contam a ninguém. Sofrem sozinhas. Maquilham-se para disfarçar assim nódoas. Faltam ao trabalho por estarem "doentes".

E se a mulher tiver vergonha? Afinal ninguém parece compreender como é que uma mulher consegue viver com um homem que a trata assim. E se ela temer pela vida dos seus familiares e amigos?

 

Pode sempre fugir... Pode sim senhor.

Mas agora proponho-vos o seguinte exercício:

Imaginem a vossa vida como a têm agora. A vossa casa. Com o vosso trabalho. Os vossos filhos. Os vossos amigos. Os vossos familiares.

Agora, pensem. Têm de fugir!

Para onde vão? Para casa de amigos ou familiares? Ele vai primeiro procurar-vos lá.

E se ele, desvairado por terem fugido, se vinga em alguém mais próximo de vós que seja mais indefeso? Para vos magoar. Para te fazer arrepender e sentires culpada pelo mal que ele fez e por teres fugido. 

Vais fugir para longe? Para onde? Vais viver como? Do quê?

E o vosso trabalho? Têm de o deixar também. Ele vai estar um dia lá a vossa espera.

E os vossos filhos? Se os levarem ele pode acusar-vos de rapto e alienação parental. E afinal ele nunca bateu nas crianças e elas nunca presenciaram nada.

E se conseguires fugir, arranjas uma casinha, outro trabalho, e for tudo perfeito, e ele não fizer mal a nenhuma das pessoas que deixaste para trás, mas tu viveres todos os dias, com medo constante de que aquele será o dia em que ele te vai encontrar mas que dessa vez não terás a sorte de levar SÓ com um soco.. Vai usar uma faca. Vai apertar-te o pescoço com as próprias mãos enquanto olha nos teus olhos. Baços. Sem vida.

 

 

Se algum de vocês ainda estiver a pensar que pode sempre pedir a ajuda da policia, da justiça... deixem-me rir. Que piada seca e sem graça. Só podem mesmo estar a gozar comigo. Estão a leste!

 

E se ainda assim quiserem contrapor que houve mulheres que conseguiram de uma forma ou de outra e por isso qualquer uma consegue... é verdade, há quem consiga, graças a Deus, ao Espírito ou outro credo a vosso gosto , mas nem todas têm essa sorte, nem todas as estórias iguais, e nem todos os homens são iguais, há homens que são violentos e há outros que nos apercebemos que são doentes, são assassinos, e só estão à espera que como um ratinho ela fuja para poderem dar inicio à caçada.

 

 

Posto isto, peço desde já as desculpas, caso considerem este meu tom um pouco mais violento mas a verdade é que este tema me deixa um gosto a fel na boca... meio azedo...

 

E caso porventura, alguma mulher que sofra de violência doméstica venha aqui parar, não quero que pense que o que aqui expus foi para explicar que não existe escapatória possível.  A intenção não é essa, é precisamente o oposto, ainda que a maioria das pessoas, por muitos que se fale, não tem capacidade para ajudar.

Violência doméstica é um crime público mas nem sempre o sistema encontra a resposta adequada e, principalmente ATEMPADA!

 

De qualquer modo, passo a mensagem da praxe, o primeiro passo é sempre pedir ajuda, o nº da APAV é gratuito e é o 116 006 (funciona das 09h - 21h) e podem consultar aqui outros contactos.

 

Para mim, para além de tudo o que já falha a estas mulheres, acho que mereciam a criação de uma rede onde mulheres violentadas pudessem ajudar-se umas às outras, sem vergonha de serem julgadas por quem nunca passou pelo mesmo e não faz portanto ideia do que estão a passar.

 

Porque a violência doméstica é uma violência que se vive muitas vezes em silêncio e só quem passou por tal sabe o quão tamanha pode ser essa solidão...

 

 

Bla bla bla

 

 

 

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