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Vamos falar de... Bla bla bla

Vamos falar de... Bla bla bla

25
Jul19

Vamos falar de...vergonha


Bla bla bla

Os meus pais moram no último prédio de uma rua sem saída.

 

Portanto, um dia, por volta dos meus 15 anos, esgueirei-me com o meu namoradito da altura, para dentro do prédio ao lado para irmos namorar. Entenda-se dar uns beijinhos e amassos mais apartados, às escuras nas escadas do prédio.

 

Não demos conta de nenhum som alarmante, de uma porta a abrir-se ou de alguém a subir as escadas.

A única coisa de que me recordo é de nos afastarem e de eu levar uma valente bofetada.

Daquelas que quase deixam marca.

Que queimam a face e a alma.

Isto no meio de insultos. "Sua put@, grande vadia, desavergonhada, sai daqui e vai já para casa!"

 

Não, não era a minha mãe nem o meu pai.

Era uma vizinha, uma senhora que morava nesse prédio do lado.

 

Durante semanas andei a tremer com receio que ela fosse contar à minha mãe. Mas não o fez.

 

Elas não se conhecem. Nunca as vi falar.

Nem um bom dia, que essa senhora sempre foi muito antipática, parece aquelas pessoas que andam com uma vassoura enfiada pelo rabo acima o que lhe confere aquele ar enjoado, nunca sequer com um esgar de sorriso.

 

O meu segredo ficou guardado mas... cada vez que passo pela senhora, baixo a cabeça, olhos pregados no chão, com vergonha.

 

Ontem ao sair de casa dos meus pais, a minha criança mais nova decidiu fazer uma birra no meio da rua porque não queria ir embora.

Gritos, choradeira...recusava-se a andar.

 

Nisto passa a tal vizinha.

A olhar, com aqueles olhinhos reprovadores.

Aposto que ela ia a pensar que a culpa daquele festival era minha e  que a falta de educação da minha criança se devesse à minha falta de moralidade na adolescência.

 

Ou não, se calhar são coisas da minha cabeça. 

Tenho 33 anos e continuo a morrer de vergonha cada vez que a vejo.

E parece que o raio da mulher tem faro para aparecer sempre em alturas destas.

 

 

Bla bla bla

 

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