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Vamos falar de... Bla bla bla

Vamos falar de... Bla bla bla

22
Nov19

Vamos falar de...Desafio dos Pássaros #11

Um dia na tua família… do ponto de vista do teu animal de estimação


Bla bla bla

 

Dia 1827

Agora partilho o cárcere com outro animal.

Aqueles canalhas conseguiram capturar mais um da minha espécie.

Desta vez até conseguiram raptar um espécime de ascendência real, ao que parece trata-se de uma princesa oriunda da Tailândia. Assim que me tirarem da solitária e deixarem confraternizar com ela, irei tentar engendrar com ela um novo plano de fuga.

Agora somos dois, mais fortes, e juntos conseguiremos arranjar maneira de escapar!

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Dia 1835

As minhas esperanças de conseguir escapar com a nova prisioneira caíram por terra.

Para além de ela ser ainda muito nova, como dizem os humanos uma criança ou até mesmo um bebé, acho que ela deve sofrer ainda de um grande e grave atraso mental.

Anda sempre a correr de um lado para o outro, persegue-me furiosamente para me apanhar a cauda e atira propositadamente objetos para o chão.

Os captores são mais complacentes com ela do que comigo e os captores miniatura passam todo o seu tempo a afagar-lhe o pelo e a enchê-la de atenções… o que me faz ganhar-lhe ainda mais rancor!

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Dia 1851

Ao fim de todo este tempo os meus captores continuam a copular de forma assídua mas alguma coisa não devem estar certamente a fazer bem porque desde a minha captura que só conseguiram conceber uma cria.

É deveras aborrecido, dia sim dia não, ter de esperar meia hora para poder ir deitar-me para dormir no sitio mais acolhedor deste cárcere (que é precisamente no meio das pernas da captora). Fico à porta a olhar diretamente para eles com um ar ameaçador na esperança de os assustar e assim interromper aquele ritual de acasalamento devasso mas eles parecem nem dar por mim.

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Dia 1927

Agora a “princesa” entrou no cio.

Passa o dia em miados incessantes e não perde nenhuma oportunidade para tentar esfregar a sua genitália no meu focinho. Agacha-se toda à minha passagem na esperança vã de que eu a vá cobrir.

Embora a tentação para gerar uma ninhada que crescesse e me auxiliasse na fuga seja forte, receio que com a sorte que tenho sairiam todos à progenitora e seria obrigado a partilhar este eterno cativeiro com uma ninhada de gatos deficientes mentais.

De qualquer modo, sou gay e, mesmo que não fosse, os captores no seu exponente máximo de sadismo, inviabilizaram à muito a minha capacidade reprodutora. Devia sentir compaixão por saber que em breve farão o mesmo à princesa atrasada, mas só consigo sentir um extremo alívio. (Sim! Eu sei que sou egoísta!)

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Dia 2014

Começo a perder a esperança de conseguir algum dia a tão almejada fuga!

Os meus captores são extremamente inteligentes e por isso escolheram uma casa num 4º andar de modo a inviabilizar qualquer tentativa de fuga, já que sabem que tenho pavor das alturas.

Mas pode ser que a altura jogue um dia a meu favor e consiga, num momento de distração, empurrar a “princesa” pela janela abaixo.

Ela não me serve de nada, só me aborrece, ficava finalmente com o cárcere novamente só para mim.

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Dia 2122

Os dias vão passando sempre iguais uns aos outros, como imagino que aconteça em todas as prisões.

Os captores acordam ainda bem cedo e saem assim que amanhece para irem para os seus regalados divertimentos a que dão o nome de trabalho e escola.

A nós deixam-nos umas migalhas de ração que eu engulo de uma só vez já que estou a tentar matar a “princesa” por privação de comida, rezando para que ela morra de fome.

Os captores só regressam de noite, numa grande azafama e correria preparam belos repastos para se banquetearem enquanto para nós se limitam a reabastecer as taças com mais ração… sempre a mesma ração… todas as refeições… todos os dias!

A “princesa” como é atrasada e na verdade tem queda para palhaça, ensaia gracinhas em troca de pequenos pedaços do repasto dos captores que aplaudem contentes.

Eu recuso-me a ser bobo da corte e fico a olhar irradiando puro ódio.

Pouco depois vão deitar-se para dormir… exceto nos dias sim... nesses demoram mais um pouco.

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Bla bla bla

 

 

Se gostraram desta minha adaptação convido-vos a lerem este meu post aqui que contém mais diários deste género e explica, sucintamente, a origem dos mesmos que, volto a referir, provém de um cartoon da autoria de Dan Piraro.

 

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