Vamos falar de...Todos os Nomes, José Saramago
#leiturasdeverão
Bla bla bla
Saramago é o mestre e gosto muito dos livros deles... contudo só me lembro dele quando me aborreço das leituras corriqueiras, quando o banal me começa a enfadar e os neurónios começam a ansiar por uma obra prima com mais conteúdo e substância.
Fico sempre abismada e surpreendida ao ler um livro dele porque me parece impossível que consiga escrever à velocidade do pensamento e do raciocínio. Acham que é fácil? Não é!
Quando escrevemos ouvimos as palavras na cabeça mas depois, ao transpô-las para o papel (ou teclado não é?!) pensamos mais devagar, o cérebro tende a focar-se mais na semântica, na métrica, na leis da gramática, na sonoridade, no sentido.
Ao passo que quando simplesmente pensamos as palavras surgem na cabeça a uma velocidade vertiginosa, nem sempre completas, nem sempre são precisas todas as palavras para pensar, a ideia está lá, é possível até visualiza-la, salta, muda, transforma-se e não se deixa domar nem aprisionar num texto escrito com palavras.
Mas ao ler Saramago sinto-me como se estivesse dentro da cabeça dele, a ouvi-lo.

Todos os Nomes é um livro que curiosamente não tem nome nenhum; o único nome que aparece no livro é José que pode ser encarado como todos os nomes ou nome nenhum, um não-nome.
José é um funcionário da Conservatória do Registo Civil que faz coleção de recortes sob a vida de uma centena (ou um pouco mais) de celebridades, nas quais inclui ainda a ilícita cópia da ficha do registo civil.
Um dia, por lapso, traz no meio das fichas das celebridades a ficha de uma desconhecida.
Começa então a sua busca por mais informações acerca da vida dessa mulher, a qual lhe vai trazer algumas aventuras e o vai obrigar a quebrar as suas rotinas.
Não sei se ficou implícito ou se fui eu que depreendi, mas eu fique com a ideia que a busca em si, e sem que ninguém tenha consciência, acaba por influenciar não só quem procura mas também a vida da desconhecida que é procurada, bem como o desfecho da estória.
É Saramago, uma leitura que não agrada a todos mas que me agradou muito a mim.
Sinopse
O protagonista é um homem de meia-idade, funcionário inferior do Arquivo do Registo Civil. Este funcionário cultiva a pequena mania de colecionar notícias de jornais e revistas sobre gente célebre. Um dia reconhece a falta, nas suas coleções, de informações exatas sobre o nascimento (data, naturalidade, nome dos pais, etc.) dessas pessoas. Dedica-se portanto a copiar os respetivos dados das fichas que se encontram no arquivo. Casualmente, a ficha de uma pessoa comum (uma mulher) mistura-se com outras que está copiando. O súbito contraste entre o que é conhecido e o que é desconhecido faz surgir nele a necessidade de conhecer a vida dessa mulher. Começa assim uma busca, a procura do outro.
Imagem daqui
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