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Vamos falar de... Bla bla bla

Vamos falar de... Bla bla bla

21
Fev20

Vamos falar de...Desafio dos Pássaros #2.4

O google está errado


Bla bla bla

 

Joana chegou cedo ao trabalho.

Era sempre a primeira a chegar.

Gostava do escritório vazio e silencioso.

Aproveitava essa tempo para beber um café em sossego, ver as primeiras noticias do dia, limpar a caixa de correio pessoal.

A partir  das 8 os colegas começavam a chegar e ela punha os fones nos ouvidos, ás vezes até sem musica para ouvir, mas desta forma não era importunada. O seu trabalho como analista consumia-lhe muita concentração e foco.

 

Nessa manhã, como habitualmente, pousou a mala na cadeira do lado, sempre vazia, já que naquele lugar ela não permitia que se sentasse ninguém.

Ligou o computador.

Despiu o pesado casaco.

Foi até à copa e tirou dois cafés para uma chávena. Sem açúcar.

Volta ao seu lugar, inspirando o doce aroma do café, que a desperta e conforta.

O computador já está ligado e ela abre duas janelas no browse. Uma para as noticias. Outra por email. Pessoal.

 

No meio da habitual lixeira publicitária que popula a caixa de entrada um email desperta-lhe a atenção. Franze as sobrancelhas. Goggle Alerts.

Ignora tudo o resto e clica para ver a mensagem.

O único alerta que se lembrava de alguma vez ter subscrito havia sido à muito tempo. Por piada. O seu próprio nome.

 

A mensagem abre-se e mostra a lista de 252.321 resultados encontrados.

O google está errado. Só pode estar errado.

 

Freneticamente, começa a correr com os olhos a lista infinita de links apresentados.

Pornhub. XVideos. YouPorn. TopFreePornVideos. xHamster. Tube8. ...

 

Começa a tremer incontrolávelmente. Não quer acreditar. Não pode ser. Tem de ser um engano. Uma nova atriz com o nome igual. Joanas há muitas. Pereiras muitas mais.

Clica num dos links, indiscriminadamente.

 

Check Point UserCheck. Merda!

Obviamente não consegue entrar.

O acesso a sites desse género está bloqueado.

 

Instantaneamente agarra no telemóvel e digita na pesquisa do google o seu nome e a palavra porn.

Milhares de resultados.

 

Escolhe um aleatoriamente e com o dedo toca-lhe para entrar.

Há vários vídeos, Publicidade que se abre e que ela tem de fechar.

O vídeo carrega em menos de 3 segundos e começa a reproduzir.

 

O coração pará.

Salta uma batida. Duas. Três.

O quarto é familiar. Conhece-o de cor.

 

Aparecem duas pessoas que ela sabe quem são.

O seu namorado André.

Ela própria.

 

Avança o vídeo alguns minutos e vê se a si própria, abandonada de pudor, de olhos fechados, descontraída, a desfrutar.

 

Os pensamentos correm frenéticos...

Como...?

Ocorre-lhe como é que um vídeo daqueles gera tantos resultados e assoma-lhe que podem existir mais... quantos mais...

Retrocede e volta a fazer scroll pela página.

 

Percebe que há centenas de videos, sempre com o seu nome e títulos ridículos a enumerá-los:

My horny girlfriend Joana Pereira sucking my cock.

Joana Pereira big fat ass in doggy style

Joana Pereira caugth masturbating alone

Me, Joana Pereira and a brazilian whore

Joana Pereira caugth cheated on me

 

O coração volta a parar uma e outra e outra vez.

Os pensamentos atropelam-se num turbilhão.

Levanta-se e corre para o piso superior onde há um terraço, precisa de apanhar ar, respirar fundo, pensar com clareza.

 

O ar está frio mas ela não o sente. Faltam-lhe as forças nas pernas. Deixa-se cair no chão.

A cabeça está um torvelinho e tenta concentrar-se em respirar.

Tlim.

O telemóvel assinala uma mensagem. Respira fundo para ver quem é.

Uma mensagem do André, que abre imediatamente, em pânico.

 

Quando tiveres tempo dá uma vista de olhos neste link.

Para aprenderes o que acontece a quem me fode SUA GRANDA PUTA!

 

Sentiu-se desfalecer. A cabeça a rodopiar.

Afinal ele sabia, tinha-a descoberto e era esta a sua vingança.

 

Não havia nada a fazer... A quem é que se ia queixar...?

Da Internet nada se apaga, nada se perde, tudo se transforma.

Toda a gente ia ver. Toda a gente ia saber. A sua família. Amigos. Trabalho.  Estava perdida.

 

Ia começar a chorar, a gritar, a tremer com pena de si própria quando se apercebeu que amanhecia... Olhou para o céu, fechou os olhos, respirou fundo.

Levantou-se repentinamente resolvida e, em passo firme, foi até ao limiar do terraço de onde, sem contemplações, saltou do 16º andar.

 

 

Bla bla bla

 

 

 

 

 

 

14
Fev20

Vamos falar de...Desafio dos Pássaros #2.3

Manual para iniciar relacionamentos


Bla bla bla

 

Estando eu num relacionamento à bem mais de uma década não serei com certeza a pessoa mais indicada para fazer este tipo de considerações… estou desatualizadíssima com certeza e o facto de não usar redes sociais não deve abonar muito a meu favor já que coisas tais são hoje imprescindíveis para o efeito.

Mas eis que o titulo apenas diz “relacionamentos” sem indicar de que tipo e, portanto, propus-me a elaborar um mini manual para iniciar relacionamentos de vários tipos (e saiu uma bosta mas foi o que se pôde arranjar).

 

Relacionamento Laboral

Honestidade meus amigos!

Não vale a pena irem para uma entrevista de emprego dizer que são a última bolacha do pacote, que sabem, fazem e acontecem, que já fizeram tudo e que estão disposto a qualquer coisa e outro tanto só para assegurarem a vossa contratação.

Mais tarde ou mais cedo vai ser exigido provas concretas do que foi assegurado.

 

Relacionamento Amigável

Disponibilidade.

Esta regra vale tanto para iniciar como para manter uma amizade.

Os amigos são para estar disponíveis sempre que necessário, nos bons e maus momentos.

 

Relacionamento Amoroso

Provavelmente todos os manuais indicariam que para se procurar um relacionamento amoroso se deveria começar por criar um perfil modesto numa das várias app’s de encontros nas quais apenas se deveria inicialmente trocar apenas mensagens escritas com um desconhecido com o qual se fez match, para tentarem encontrar interesses em comum e só em encontrando e ao fim de um período mínimo aceitável, se deveria avançar para o encontro pessoalmente.

Eu sugiro uma coisa louca e diferente que é falar com uma pessoa que vos interesse frente a frente, convidarem-na para saírem, para beber um copo ou para jantar, conversarem.

Eu sei que saltam imensos patamares… que loucura, eu sei!

 

Relacionamento Parental

Outra proposta arrojada: sejam pais!

Não se deve privilegiar o papel de amigo face ao papel de mãe/pai… e há por aí muitos pais que pensam também que educar é na escola.

 

Relacionamento Sexual

Se for uma mulher a querer basta dizer "Bora!"

Se for um homem a querer... já falei disso aqui, estas são algumas das coisas que resultam comigo.

Aqui só tenho a acrescentar mais isto:

hudoing.gif

 

 

 

Bla bla bla

 

07
Fev20

Vamos falar de... Desafio dos Pássaros #2.2

É que isso de médicos, nunca fiando


Bla bla bla

- Ai mulher, não sei como é que tu consegues fazer tanta coisa ao mesmo tempo! Estou cansada só de olhar.

- Ninguém as faz por mim… e ainda tenho muita coisa para fazer hoje e não tenho tempo, não posso parar. Vai falando que seu não estou a olhar mas estou a ouvir.

- Não, não quero nada. Vim só ver como é que estavas, se precisavas de alguma coisa e saber…do Paulo. (Baixa o tom de voz) Como é que ele tem estado? Está melhor?

 

Laura para de descascar as batatas, respira fundo e vai sentar-se ao pé da amiga já sem conseguir conter as lágrimas que lhe afloravam nos olhos.

 

- ‘Tá nada. Está cada vez pior Mais de 10 comprimidos por dia e não há meio de o homem melhorar…Eu tento ter esperança, ser forte mas acho que ele não vai aguentar… - desata em pranto.

A amiga acorre a abraçá-la para a confortar.

- Oh miga tem calma. Vais ver que ele melhora! Isso é só o cansaço a f alar. És a mulher mais forte que conheço e contigo a seu lado vais ver que ele melhora. Tens de ter paciência e esperança.

- Sim… mas é difícil sabes… ando muito cansada. O trabalho, as idas constantes aos médicos, exames, hospitais, as noites sem dormir à cabeceira dele para cuidar que ele passe bem a noite, é o tratar de casa, fazer-lhe as sopinhas que ele também não aguenta mais nada… Ai tenho que ir acabar a sopa que se está a fazer tarde.

- Eu também tenho de ir querida, só quis passar aqui rapidinho para te dar um beijinho. Se precisares de alguma já sabes.

- Obrigada amiga por vires. Mas vai ligando tu que eu com tanta coisa na cabeça esqueço-me de tudo, nunca me lembro de nada.

- Ligo sim. Vá beijinho e as melhoras para o Paulo.

 

 

Respirou fundo. Sentia-se reconfortada. A sua vida não era fácil mas agora havia sempre alguém por perto para a confortar.

Acabou de cozinhar os legumes e passou-os todos. O Paulo só conseguia comer a sopa completamente passada já que o simples ato de mastigar era suficiente para despoletar mais um arranque violento de vómitos.

Pegou num banquinho e subiu-lhe para cima. Era baixinha e só assim conseguia chegar à prateleira mais alta do armário, onde guardava loiça de cerimónia que raramente utilizava.

Afastou e loiça para contemplar os vários frasquinhos de vidro transparente. Estavam ordenados em várias fileiras e continham todos um liquido incolor, sem qualquer rótulo para os identificar.

Apesar de não haver nada que distinguisse os frascos um do outro Laura sabia exatamente o que continham pois decidira organizá-los por ordem alfabética do seu conteúdo.

Agua oxigenada, Álcool, Arsénico, Clorofórmio, Éter, Lixívia, Ricínio, Tetrahidrozolina…

Com um sorrido nos lábios escolheu um frasco da última fileira. Era um dos seus preferidos por se tratarem de simples gotas oftalmológicas para os olhos.

poison.jpg

Começou a envenenar o marido à alguns anos atrás para o castigar pela sua traição.

Laura nunca o confrontou e ele nunca soube que a mulher o havia visto em posses pouco bíblicas com a colega do trabalho a terem sexo desenfreado no carro.

Nessa altura, com a raiva de mulher despeitada a toldar-lhe o descernimento, não mediu bem o que fazia e o marido quase morreu intoxicado ao 2º dia.

Os remorsos da Laura duraram tanto quanto a braguilha do marido se manteve fechada.

Laura passou a envenenar o marido sempre que tinha conhecimento das suas infidelidades.

Com a prática aperfeiçoou os seus métodos, doses, substâncias... Nunca ninguém desconfiou dela já que era uma esposa extremosa.

 

Mas os anos passaram e as oportunidades do marido de saltar a cerca começara a diminuir drasticamente até cessarem por completo.

Laura começou a ficar agitada porque gostava da adrenalina mas principalmente porque gostava que toda a gente se conduesse dela e da sua situação, inundando-a de carinho, solidariedade e atenção.

Decidiu então abranger o castigo a qualquer falta que o marido fizesse. Qualquer motivo servia.

O atual castigo estava a ser aplicado por o marido ter feito um comentário levemente depreciativo a respeito do seu peso. E na verdade ele até tinha razão.

 

Desceu do banco e começou a verter o frasco para a sopa…

- O que estás a fazer Laura?

- Ai Jesus homem! Que me matas de susto! O que é que estás a fazer aqui em baixo? Vai já para cima para a cama antes que piores.

- Vou… o que é aquilo? O que estás a pôr na sopa?

- Aquilo? ... É agua benta homem! O que é que havia de ser?!

- Água benta Laura? Desde quando é que viraste crente?

- E eu lá creio em alguma coisa… mas olha, tentar não custa!

Os médicos não sabem nada, nem com os medicamentos melhoras… isso dos médicos, nunca fiando… e assim pode ser que Deus, o Diabo ou qualquer outra coisa te acudam.

Mal não há de fazer!

- Pois… tá bem… mal não há-de fazer não…. Olha queria comer aqui contigo mas já estou a ficar tonto. Vou-me deitar e como um bocadinho da sopa lá em cima, tá bem?!

- Tá! Vai lá mazé antes que priores que eu já ta levo.

 

 

Fodasse! Foi por pouco…

 

 

Imagem daqui

 

 

Bla bla bla

31
Jan20

Vamos falar de...Desafio dos Pássaros #2.1

Acho que a coisa não vai correr bem


Bla bla bla

Embora a fantasia sexual numero 1 da maioria dos homens seja participar num menáge à trois apenas 1/3 dos que têm essa fantasia conseguem realizá-la.

A percentagem de mulheres com esta mesma fantasia é muito inferior à dos homens embora se tenha verificado um aumento significativo nos últimos 10 anos (de 10,6% para 16,9%).

 

 

Levei a cabo uma pequena investigação para tentar perceber se estes dados são aproximados à realidade. Para terem uma noção da amostragem, consegui questionar 24 homens e 31 mulheres.

Eis o que descobri:

  • 23 homens fantasiam com sexo a três. 1 homem não.
  • 12 mulheres admitiram ter curiosidade em ter sexo com mais duas pessoas ao mesmo tempo. 19 mostraram-se muito repugnadas sequer com essa ideia.
  • Dos 23 homens: 17 fantasiam com 2 mulheres, 2 fantasiam com 1 mulher e outro homem, 4 dizem que é indiferente.
  • Das 12 mulheres: 7 fantasiam com 1 homem e outra mulher, 5 fantasiam com 2 homens.
  • 16 homens dizem que o entrave para realizar essa fantasia é estarem numa relação e tais praticas não serem viáveis para casais “sérios” mas sim mais adequadas para solteiros ou pessoas em relações menos estáveis. 5 homens nunca abordaram esse assunto com as companheiras. 2 dizem que nem sequer conseguem uma quanto mais duas.
  • 7 mulheres nunca ponderaram realizar esta fantasia por sentirem ciúmes dos companheiros e/ou receio de serem trocadas e de sentirem menosprezadas. 4 receiam ciúmes por parte do companheiro. 1 respondeu-me que esta conversa a estava a deixar intrigada e curiosa... e passou a fantasiar estar com uma mulher e um homem ao invés de dois homens ao mesmo tempo.                                                           Já nos conhecemos à algum tempo e embora não sejamos muito chegadas soavam alarmes na minha cabeça a alertar-me “Acho que esta coisa não vai correr bem… mas deixei-me ir e a coisa correu... muito bem. O Querido chegou a casa e teve uma bela surpresa. Ainda hoje chega a casa e a primeira coisa que faz é ir direto ao quarto, a ver se tem a mesma sorte duas vezes.

 

 

Bla bla bla

13
Jan20

Vamos falar de... Desafio dos Pássaros

Reflexão sobre a 1ª Edição


Bla bla bla

Quando me inscrevi no Desafio dos Pássaros não sabia bem o que esperar.

Agora que sei perfeitamente o que me espera reinscrevi-me para a 2ª edição... o que só prova que a minha sanidade mental está por um fio.

 

 

Ainda se lembram de todos os temas? Podem rever clicando abaixo:

 

O meu favorito foi o tema 3 porque, sem querer e, para respeitar os limites das 400 palavras, deixei todos em pulgas para saberem como foi o #3.

O que gostei menos de escrever foi o tema 8 porque não estava mesmo inspirada e não me apetecia escrever nada. A culpa não foi do tema, foi minha que estava numa semana sem cabeça.

O mais desafiante foi o tema 7 porque para respeitar o tal limite das 400 palavras tive de escrever num linguarejar inventado. O tema 5 também não foi pera doce e gostava de saber qual das 8 alminhas teve essa brilhante  ideia para lhe desejar uma beringela (just kidding!)

 

 

E vocês? Qual o vosso tema favorito?

Estão prontos para mais?

 

 

Bla bla bla

 

10
Jan20

Vamos falar de...Desafio dos Pássaros #17

Luz e Sombra


Bla bla bla

shadow.jpg

Quando vi que o ultimo tema da 1ª edição do desafio dos pássaros era “Luz e Sombra” lembrei-me automaticamente de um livro da Isabel Allende com o titulo semelhante, De amor e de Sombra que, não sendo a mesma coisa, remete para o mesmo, afinal o amor é luz.

E é disso que somos todos feitos. De luz. E de sombra.

Somos capazes dos maiores feitos e das maiores atrocidades.

 

Não acredito que hajam pessoas totalmente luminosas e outras totalmente sombrias. Somos ambas. O ideal, como em tudo, é haver equilíbrio.

E mesmo quando tudo parece sombrio, ao fundo, ás vezes muito ao fundo, á sempre uma nesga de luz.

 

...

 

Há alguns anos atrás, quando voltava para casa vinda da escola, já tarde, noite porque estávamos em pleno inverno, fui rodeada por um grupo de rapazes que me derrubaram ao chão e me apalparam até à alma.

Consegui fugir, ainda que à custa de um braço partido.

 

Em casa, com os meus pais, chamou-se a policia, a ambulância, a minha mãe chorava desalmada, o meu pai cegava de raiva e saía para a rua, às cegas, à procura de vingança.

Eu sabia quem eles eram mas nunca disse a ninguém.

Só um dos policias percebeu que as minhas descrições genéricas não se deviam à memória difusa pelo choque mas sim a uma plena consciência das consequências e implicações que uma denuncia direta teria.

Não temia por mim, mas sim por eles.

Porque sabia que o meu pai, certo ou errado, é um pai com letras grandes, e iria querer acertar as suas contas à margem da justiça.

E por isso, mesmo confrontada, neguei, menti, disse que não sabia quem eram e que nunca os tinha visto antes.

 

Mas vi. Antes. E depois.

A primeira vez que os três me viram de braço com gesso ao peito, ficaram muito aflitos, a olhar em volta à procura da policia ou de algum vingador, e fugiram.

A partir daí, e percebendo que eu me tinha calado, evitavam-me.

Nunca mais me olharam nos olhos. Mudavam de lado no passeio. Foi como se nunca se tivesse passado nada.

 

Passaram-se anos.

Vários.

 

Trabalhava num centro comercial, numa loja e levava comigo, na minha singela mala, 3.500,00 € para fazer o depósito. O banco era mesmo na rua em frente.

E como destrambelhada que sou, meti-me à frente de um carro. A culpa foi minha. Atravessei fora da passadeira, à noite, distraída e sem olhar.

Mas, era de noite. Tarde. E na rua não havia ninguém. O carro não parou. Fugiu.

Á partida sentia-me bem apesar das dores pelo tombo. Mas assim que olhei para a minha perna e vi uma fatura exposta desmaiei.

 

Acordei já no hospital. Aos gritos por causa da mala.

Tiveram de me dar qualquer coisa para me acalmar, e lá me explicaram que estava tudo lá fora com a policia e o rapaz que tinha chamado os bombeiros.

Tanto barafustei que precisava da mala que lá os deixaram entrar.

Veio um policia. E o rapaz com a mala. Que era o mesmo que tantos anos atrás me tinha partido o braço. Eu fiquei branca de certeza. Não estava à espera.

O policia disse que ele se chamava X, explicou que tinha sido ele a encontrar-me e a pedir ajuda. Ele percebeu que estava aflita com a mala e disse-me “Está tudo aí.” E estava. Não faltava nem um cêntimo.

Eu apenas consegui dizer obrigada, com lágrimas nos olhos, as emoções de tudo aquilo a virem todas ao de cima.

 

Todos somos sombra, todos somos luz.

 

 

Imagem daqui

 

 

Bla bla bla

07
Jan20

Vamos falar de...Desafio dos Pássaros

2ª Edição


Bla bla bla

desafio.jpg

 

Já toda a gente sabe do Desafio dos Pássaros, certo?

Acho que não têm como não saber já que às sextas-feiras a partir das 15h o charco entra em ebulição.

Esta sexta-feira irá terminar a 1ª edição deste desafio mas...

vai haver uma 2ª edição!!!

 

Mais do que um exercício de escrita criativa encaro este desafio como um ótimo desafio de leitura já que os mesmos temas são abordados de formas tão distintas e criativas quanto os seus participantes.

 

Para se inscreverem basta irem ao blog dos pássaros e ver as condições. Se clicarem nas imagens deste post também vão lá parar

 

Vão lá e inscrevam-se, the more the merrier!!!

passaros.png

 

Bla bla bla

03
Jan20

Vamos falar de...Desafio dos Pássaros #16

Sobre a vida adulta: Ainda não entendi o que é para fazer


Bla bla bla

Desde tenra idade que sempre soube o que queria fazer quando fosse grande.

Tracei o meu percurso escolar com vista nesse objetivo ainda que não fosse necessário já que à anos que a média para esse curso roçava o negativo.

Mas para mim o suficiente nunca foi suficiente, e por isso sempre me esforcei por ser a melhor.

 

A primeira vez que disse a uma pessoa, que exercia essa mesma profissão, que ia tirar o curso para fazer o mesmo que ela respondeu-me que era o pior erro que ia cometer na minha vida.

Ainda hoje recordo essas palavras tão quentes que me queimam.

Com a arrogância da adolescência odeia-a por isso e forcei-me por acreditar que ela só o havia dito com medo que a superasse e lhe roubasse o lugar.

Mas no fundo sabia que não.

 

Já no curso tive de me conformar com as evidências e admitir que não tinha sido uma boa escolha. Mudei de área. Uma volta de 360º porque se fosse menos que isso não ia suportar a semelhança. Ou fazia aquilo que sempre quis ou fazia algo totalmente diferente.

 

E assim foi.

Anos passaram e fui evoluindo no trabalho. Devagar. Mas fui crescendo. Até que dei por mim apaixonada.

A adrenalina que o trabalho me dava era tanta, tinha tanta fome, tanta gana e paixão, que comecei a roubar tempo à família para trabalhar. Quem corre por gosto não cansa. Até um dia.

 

Até o dia em que te dizem Calma! Tenho aqui  algo para ti completamente diferente. O oposto. E mais uma vez eu aceitei e dei outra volta. 180º.

 

 

Se pudesse escolher faria o que sempre desejei desde criança.

Na realidade, não podia estar mais longe.

Mas dou por mim a sentir que estou exatamente onde devia estar.

E mesmo que ainda não tenha entendido o que é suposto fazer em todos os aspetos da minha vida tento focar-me neste principio: aconteceu porque tinha de ser.

 

Tem de acontecer, porque tem de ser
E o que tem de ser tem muita força
E sei que vai ser, porque tem de ser
Se é p'ra acontecer, pois, que seja agora

Seja agora, Deolinda

 

 

Bla bla bla

 

 

20
Dez19

Vamos falar de...Desafio dos Pássaros #15

O Pai Natal decidiu reformar-se e as entrevistas começam esta semana. Descreve uma dessas entrevista


Bla bla bla

SantaJesus.jpg

 

Rena Rudolfo: Boa tarde, eu sou a Rena Rudolfo, sou responsável pelo departamento de Recursos Humanos do Polo Norte e estou encarregue das entrevistas e contratação do substituto do Pai Natal que decidiu reformar-se este ano.

Fale-me um bocadinho de si.

... (silêncio)

Rena Rudolfo: Oi?!? Está a ouvir-me?

Jesus: Desculpe! Distraí-me com o seu nariz...

Rena Rudolfo: Sim... acontece a toda a gente. É vermelho e ilumina imenso. Á conta disso até há um hotel com o meu nome no Red Light District em Amesterdão. Houve um engraçadinho que teve a brilhante ideia de se lembrar desta analogia.

Mas avancemos que ainda tenho muitos candidatos por entrevistar. Tem aqui um par de óculos escuros para não ficar ofuscado.

Fale-me então de si. Porque é que se decidiu candidatar a esta posição?

Jesus: Bem eu sou Jesus, e esse é na realidade o meu dia.

Rena Rudolfo: Como assim o seu dia?

Jesus: O Natal é celebração do dia do meu nascimento.

Rena Rudolfo: Então acha que está habilitado só porque faz anos no dia Natal?

Jesus: Não, eu estou habilitado porque eu sou Natal!

Rena Rudolfo: Pfff...Mais um com as manias de grandeza! Olhe lá eu ouvi dizer que na verdade você nem nasceu em Dezembro mas sim em Março!

Jesus: É verdade mas a conveniência ditou que fosse institucionalizado que o meu nascimento seria celebrado em Dezembro e por isso assim é há mais de 1300 anos.

Rena Rudolfo: Pfff! Então joga a carta da antiguidade.... muito bem! Então e como é que encara o desafio de ter de entregar prendas a todas as crianças do mundo numa só noite?

Jesus: Bem eu sou omnipresente...

Rena Rudolfo: Pensava que esse era o seu pai.

Jesus: Herdei dele.

Rena Rudolfo: Então e os presentes?

Jesus: Vou oferecer amor.

Rena Rudolfo: Não pode ser!

Jesus: Porquê?

Rena Rudolfo: Porque os presentes a oferecer são para crianças e não queremos ser acusados de pedofilia.

Jesus: Queria dizer amor no coração!

Rena Rudolfo: Amigo, estamos no século XXI, já ninguém oferece isso.

Jesus: Então o máximo que posso fazer numa só noite é oferecer brinquedos apenas a alguns... para equilibrar por nem todos terem direito a receber presentes os que receberem receberão presentes excessivamente caros com provavelmente brincarão apenas nos primeiros dias.

Para os mais novos poderão ser brinquedos de plástico em embalagens com o dobro do tamanho e imagens glamorosas para dar uma ilusão de grandeza.

Para os mais velhos, algo digital que ocupa menos espaço, e altamente viciante para os deixar completamente alienados de tudo o resto.

Rena Rudolfo: Não diga mais! ESTÁ CONTRATADO!

 

 

Imagem daqui

 

 Bla bla bla

 

 

 

 

06
Dez19

Vamos falar de...Desafio dos Pássaros #13

Reescreve o final dum filme


Bla bla bla

 

titanic.gif

 

Titanic...

Lembro perfeitamente que quando vi este filme, que já é um clássico e que arrebatou toda a gente, não pude deixar de pensar que o Jack podia ter sobrevivido.

 

A água estava gelada para catano, só havia uma tábua. Mas a puta da Rose podia ir trocando com ele, iam-se revezando e assim até aqueciam com o movimento (digo eu). Acho que toda a gente pensou isto certo?

 

E se o Jack tivesse sobrevivido? O que lhes teria acontecido?

Dizem vocês que teriam envelhecido juntos, a andar a cavalo e a escarrar contra o vento. Iam ter um "amor para a vida toda" como o da Deslandes, iam ser muito felizes, livres das convenções sociais e perdidamente apaixonados.

Só que não.

 

Na realidade, se o Jack tivesse sobrevivido eles iam ficar juntos, sim senhora, mas a Rose ia começar a ganhar-lhe um rancor de morte por se ter visto privada dos luxos a que desde o berço estava habituada.

Ia farta-se das aspirações do Jack de se tornar um artista de renome, o Picasso da América, e ia rezar para que ele arranjasse um trabalho de arcaboiço que trouxesse sustento para a casa e ao mesmo tempo o ajudasse a perder a pancita de casado que ele começou a acumular com o passar dos anos.

Ela ia ficar balofa fruto das várias gravidezes e com o passar dos anos as incursões do casal em charretes alheias diminuiriam amiúde.

O culminar seria quando a Rose chegasse a casa com um rol de crianças alapadas à saia e encontrasse o Jack enrolado com a prostituta perneta que ele dizia que só gostava pelas mãos.

Mas ficaram juntos mesmo assim, que eram tão pobres que não poderiam separar-se.

O Jack morreu já velhote com uma cirrose. A Rose morreu de ataque cardíaco quando descobriu o fio com o diamante azul gigante no bolso de um casaco velho e puído, que a ter encontrado mais cedo podia ter posto no penhor e evitado uma vida inteira de penúrias.

 

Bla bla bla

29
Nov19

Vamos falar de...Desafio dos pássaros #12

Aqueles pássaros não se calam


Bla bla bla

 

Quando ele me apareceu cá em casa com um periquito e um canário, separados em duas gaiolas,  quase lhe deitei as mãos ao pescoço.

Quem?!? Quem no seu perfeito juízo traz pássaros para uma casa onde já há dois gatos?

 

Barafustei que ele é que havia de limpar a merda que eles fizessem, que não me responsabilizava se acidentalmente os deixasse fugir nem se os gatos mandassem com as gaiolas abaixo.

 

Ele não disse nada, ficou calado. Já sabe que quando estou em fúria só preciso de disparatar e o melhor é deixar acabar a cassete. Depois passa.

 

- Mas porque raio é que te lembraste de trazer pássaros cá para casa??

- Foi um sonho.

- Como assim um sonho?

- Sonhei que tinha de ter pássaros.

 

A minha testas franze-se automaticamente já que ele não é gajo para estas merdas.

 

- Tás a gozar comigo?

- Não – diz meio a rir-se – O que queres que te diga? Foi um sonho.

 

Pirou de vez!!!

 

 

...

 

 

O sonho:

 

Primeiro senti os seus beijos no pescoço. Húmidos.

A respiração. Funda.

Uma perna sobre as minhas.

O seu corpo emanava calor.

A mão afagava lentamente o meu membro que despertava bem disposto.

 

Não demorou muito a que começasse a descer.

Primeiro devagar. Com beijos que lambuzavam. Demorados.

Mas rapidamente perdeu a paciência, ansiava por mais, saltou beijos.

 

Seria de esperar que começasse devagar.

Que primeiro lambesse. Aos poucos. Por partes.

Mas não.

Enfiou-o logo todo na boca sugando vigorosamente.

Um choque. Como uma pequena descarga elétrica.

Vejo tudo branco e agarro-lhe os cabelos com mais força do que pretendia mas preciso de fazê-la perceber que tem de abrandar ou não durará muito mais tempo.

 

Sem parar, ela olha-me. Percebe.

Mas não para.

Volta a concentrar-se em mim e suga-me mais rápido, com mais força.

 

Não consigo aguentar. Deixo-me ir. Começo a libertar. Alívio. Descompressão. Paz.

Ela continua, mas começa a abrandar. Só vai parar quando comprovar que acabei, que já estou totalmente relaxado.

 

Começo a tomar perceção do que me rodeia. Vejo as horas.

7h23. É domingo. Não é seu costume acordar tão cedo.

 

- Porque é que acordaste tão cedo?

- Aqueles pássaros não se calam… não conseguia dormir.

 

 

Bla bla bla

 

22
Nov19

Vamos falar de...Desafio dos Pássaros #11

Um dia na tua família… do ponto de vista do teu animal de estimação


Bla bla bla

 

Dia 1827

Agora partilho o cárcere com outro animal.

Aqueles canalhas conseguiram capturar mais um da minha espécie.

Desta vez até conseguiram raptar um espécime de ascendência real, ao que parece trata-se de uma princesa oriunda da Tailândia. Assim que me tirarem da solitária e deixarem confraternizar com ela, irei tentar engendrar com ela um novo plano de fuga.

Agora somos dois, mais fortes, e juntos conseguiremos arranjar maneira de escapar!

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Dia 1835

As minhas esperanças de conseguir escapar com a nova prisioneira caíram por terra.

Para além de ela ser ainda muito nova, como dizem os humanos uma criança ou até mesmo um bebé, acho que ela deve sofrer ainda de um grande e grave atraso mental.

Anda sempre a correr de um lado para o outro, persegue-me furiosamente para me apanhar a cauda e atira propositadamente objetos para o chão.

Os captores são mais complacentes com ela do que comigo e os captores miniatura passam todo o seu tempo a afagar-lhe o pelo e a enchê-la de atenções… o que me faz ganhar-lhe ainda mais rancor!

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Dia 1851

Ao fim de todo este tempo os meus captores continuam a copular de forma assídua mas alguma coisa não devem estar certamente a fazer bem porque desde a minha captura que só conseguiram conceber uma cria.

É deveras aborrecido, dia sim dia não, ter de esperar meia hora para poder ir deitar-me para dormir no sitio mais acolhedor deste cárcere (que é precisamente no meio das pernas da captora). Fico à porta a olhar diretamente para eles com um ar ameaçador na esperança de os assustar e assim interromper aquele ritual de acasalamento devasso mas eles parecem nem dar por mim.

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Dia 1927

Agora a “princesa” entrou no cio.

Passa o dia em miados incessantes e não perde nenhuma oportunidade para tentar esfregar a sua genitália no meu focinho. Agacha-se toda à minha passagem na esperança vã de que eu a vá cobrir.

Embora a tentação para gerar uma ninhada que crescesse e me auxiliasse na fuga seja forte, receio que com a sorte que tenho sairiam todos à progenitora e seria obrigado a partilhar este eterno cativeiro com uma ninhada de gatos deficientes mentais.

De qualquer modo, sou gay e, mesmo que não fosse, os captores no seu exponente máximo de sadismo, inviabilizaram à muito a minha capacidade reprodutora. Devia sentir compaixão por saber que em breve farão o mesmo à princesa atrasada, mas só consigo sentir um extremo alívio. (Sim! Eu sei que sou egoísta!)

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Dia 2014

Começo a perder a esperança de conseguir algum dia a tão almejada fuga!

Os meus captores são extremamente inteligentes e por isso escolheram uma casa num 4º andar de modo a inviabilizar qualquer tentativa de fuga, já que sabem que tenho pavor das alturas.

Mas pode ser que a altura jogue um dia a meu favor e consiga, num momento de distração, empurrar a “princesa” pela janela abaixo.

Ela não me serve de nada, só me aborrece, ficava finalmente com o cárcere novamente só para mim.

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Dia 2122

Os dias vão passando sempre iguais uns aos outros, como imagino que aconteça em todas as prisões.

Os captores acordam ainda bem cedo e saem assim que amanhece para irem para os seus regalados divertimentos a que dão o nome de trabalho e escola.

A nós deixam-nos umas migalhas de ração que eu engulo de uma só vez já que estou a tentar matar a “princesa” por privação de comida, rezando para que ela morra de fome.

Os captores só regressam de noite, numa grande azafama e correria preparam belos repastos para se banquetearem enquanto para nós se limitam a reabastecer as taças com mais ração… sempre a mesma ração… todas as refeições… todos os dias!

A “princesa” como é atrasada e na verdade tem queda para palhaça, ensaia gracinhas em troca de pequenos pedaços do repasto dos captores que aplaudem contentes.

Eu recuso-me a ser bobo da corte e fico a olhar irradiando puro ódio.

Pouco depois vão deitar-se para dormir… exceto nos dias sim... nesses demoram mais um pouco.

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Bla bla bla

 

 

Se gostraram desta minha adaptação convido-vos a lerem este meu post aqui que contém mais diários deste género e explica, sucintamente, a origem dos mesmos que, volto a referir, provém de um cartoon da autoria de Dan Piraro.

 

15
Nov19

Vamos falar de...Desafio dos Pássaros #10

Já chegámos? Já chegámos?


Bla bla bla

Já chegámos? Já chegámos?

A SÉRIO QUE JÁ CHEGÁMOS??? É mesmo isto o INFERNO???

 

Eu sabia que ia encontrar toda a gente quando chegasse aqui mas não esperava encontrar mesmo toda a gente...

Sim, são vocês! Estão cá TODOS!!!

 

Ainda mal lá tinha posto os pés e já vos estava a reconhecer a todos.

 

 

O Hitler andava a fugir da malta que tinha ficado passada por ter ficado uma eternidade à espera no purgatório graças à fila que ele havia provocado.

 

Miluem continuava a barafustar que queria o livro de reclamações já que ainda não tinha chegado a hora dela.

 

IMSilva e a Catarina Reis estavam eternamente aflitas para ir à casa de banho mas a casa de banho estava sempre ocupada pelo Triptofano que se masturbava no chuveiro embora volta e meia lá escorregasse no sabonete.

 

A Gorda estava mesmo balofa e era com dificuldade que andava a fugir da Custódia e da Clotilde que não paravam de lhe atazanar o juízo.

 

A Peixe Frito tinha sido literalmente transformada em peixe e estava a ser assada pelo tio do Sapo, o Tio Jacinto.

 

A sobrevoar o Inferno andavam oito abutres... eram a Alexandra, a Caracol, a Drama Queen, a FatiaMor, a Just Smile, a Magda L. Pais, a Mula e o Coiso, que até no Inferno adotaram a forma de PÁSSAROS necrófagos para nos bicarem até na morte.

 

 

Bla bla bla

 

Para perceberes as referências do Inferno  vê o texto do tema 5 do desafio dos pássaros que também podes ler aqui.

08
Nov19

Vamos falar de...desafio dos pássaros #9

Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta


Bla bla bla

Cegueira branca.

 

 

A primeira coisa que me ocorreu quando comecei a ganhar consciência e a sair do torpor do sono foi que me tinha assolado uma cegueira branca como a do Ensaio sobre a Cegueira do grande José Saramago.

Tento abrir e piscar os olhos e continua tudo branco.

 

Sei que estou ao ar livro porque sinto uma leve brisa fresca. E depois azul… do mar.

 

Olhei à minha volta para tentar perceber onde estava e o que estava a acontecer.

Estava nua, numa pequena ilha de pedras com uma espécie de farol ou qualquer coisa do género onde aparentemente não estava mais ninguém. Procurei em volta as minhas roupas com pudor que alguém aparecesse e me encontrasse naqueles propósitos. Não encontro nada.

 

Tento recordar-me como fui ali parar e não me ocorre nada… espera! Havia uma cabana… e um frigorífico mas não me lembro de mais nada.

 

Oh meu Deus, e agora? O que é que eu faço? Vejo a praia ao longe mas sei que a nado não consigo lá chegar. Entro naquela coisa do farol???

Estou prestes a ter um ataque de pânico, não consigo respirar, não sei o que fazer até que ouço uma voz familiar Bom dia! Viro-me e vejo o Querido surgir numa gaivota. O que é que aconteceu? Onde é que nós estamos? O que é que se passa?!?

O Querido sorria. Atirou-me com a roupa e mandou-me subir para a gaivota Temos muito que pedalar.

Foi então que o Querido me contou que tínhamos ido a uma festa num sitio chamado a Cabana do Amor mas que eu não tinha gostado, era um sitio horrível e com ar muito manhoso e que depois de eu ter ido buscar uma bebida tinha agarrado nele e saído de lá esbaforida a reclamar entre-dentes com o que tinha encontrado no frigorífico.

 

 

Contou-me então que apesar disso não quisemos dar a noite por perdida e fomos comprar uma garrafa de vodka que eu bebi como se fosse água.

 

Voltámos para a praia para fazermos amor sobre as estrelas.

 

Entretanto tive a brilhante ideia de roubarmos uma gaivota para fodermos no mar.

Dei um time para aguentar a pedalada e aquilo fez-me pedalar até ao Bugio onde fodemos que nem loucos até eu cair para o lado numa espécie de coma alcoólico.

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Imagem daqui

 

 

 

Para perceberes as referências à história da cabana do amor vê o texto do tema 6 do desafio dos pássaros que também podes ler aqui.

 

 

Bla bla bla

01
Nov19

Vamos falar de...Desafio dos Pássaros #8

Escreve uma carta para a criança que foste


Bla bla bla

 

Ainda esta semana em conversa com a minha amiga mais antiga (da qual já falei aqui) relembrámos os nossos primeiros namoricos e quão parvinhas erámos nessa altura.

Se soubesse o que sei hoje… comentámos as duas… mas rapidamente concluímos depois que apesar de tudo não mudaríamos nada porque tudo o que nos aconteceu de certa maneira nos conduziu a onde estamos e ao que temos hoje.

 

Os maiores arrependimentos que tenho estão ligados aos corações que parti e às pessoas que de alguma forma magoei, mas quero acreditar que essas pessoas não me guardam qualquer rancor ou ressentimento pois também das minhas más pode ter advindo um resultado ou caminho positivo. Quero acreditar que sim porque é assim que encaro quem me magoou também, com um agradecimento sentido por mesmo com alguma dose de dor me terem encaminhado para o meu caminho.

 

 

E é por isso, que com alguma pena minha, esta semana me encontro de certa forma a faltar aos desafios (aos dos pássaros porque o tema era escreve uma carta para a criança que foste, e ao Trip que me desafiou a incluir em todos os textos uma temática sexual) e a faltar a quem aqui vem ler e está habituado um texto mais animado, brejeiro e divertido.

 

 

Se tivesse de escrever uma carta para a criança que fui entregaria um subscrito em branco...

 

 

 

Bla bla bla

25
Out19

Vamos falar de... Desafio dos Pássaros #7

A Constança precisa duma mascara capilar mas o teu patrão só quer que vendas compotas de abobora com


Bla bla bla

 

Á unzanos atrás um corvo confundio mê’marido Gervásio cum espantalho e rancou-lh’um’olho à bicada; ficou cum’olho bom pra ver mazu outro que lhe foi arrancado era cum certeza o‘lho dos negócios porque desd’então que pós negócios o Gervásio num tem olho nenhum.

Apercebi-me disso cand’ele veio qu’ideia de plantar abóboras para o ‘Ailôine, mas num fui capaz de lhe fazer a desfeita e ‘cidi apoiá-lo ness’iniciativa já cum’olho (o meu) nos lucros qu’ia conseguir ao plantar legumes e ósdespois estampar-lhe um selo dizendo qu’eram biológicos.

 

O ‘Ailôine chegou e num se vendou porra d´abóbora nenhuma.

O Gervásio ficou deprimido por não se lembrar qu’afinal o ‘Ailôine só se festeja nas Américas e cáze lhe caia o olho bom de tanto chorar.

Consolei-o cum mimices e contei-lhe que já tinha apalavrado c’o Mestre André, mê’patrão e dono da única mercearia lá da terra, pra nos cumprar as abóboras todas.

 

Mas na terra toda ágente cultiva um ‘cadinho de tudo, biológico num é novidade nenhuma e ‘ssim caz’abóboras começaram ápodrecer o me’patrão ordenou-me qu´as transformasse em compota pr’evitar que s’estragassem.

Pra sê diferente lembrei-me d’ajuntar à abobora as amêndoas que tinham sobrado das Páscoas passadas e que nunca mandei fora já qu’amandar fora comida é pecado.

 

Os vizinhos lá foram cumprando a merda da compota porque s’acompadeciam da’mim plo mê Gervásio sim’olho e porqu’o Mestre André meaçava que sa não vendesse as compotas todas ma despedia sem contemplações.

 

U’dia apareceu a Constança, qu’é moça da minha criação, a pedir uma máscara capilar. O mestre André assomou logo aspreitar e lançou-mum olhar como quem diz ´É bom ca vendas maiz’um frasco daquela merda ou vais co caralho!”

Pousei o frasco do shampoo concentrado e levei-lh’um frasco da compota.

Tentei convencer a pobre Constança qu’aquilo é qu’era bom pra hidratar e fortalecer o cabelo e co’alto teor de betacarotenos d’abóbora ‘inda ficava co cabelo loiro deslavado com’áquelas famosas usam agora e que dizem qu’é o estilo californiano.

A Constança chegou-se máz ao mê’ouvido e explicou-me ca máscara capilar era prás partes baixas já qu’ela tinha visto o marido a ver nas intranetis um saite chamado peludinhas cum gosto e precisava d’aumentar a pilosidade p’ir d’encontro aos gostos do marido.

Expliquei-lhe qu’assim era melhor ainda proque prá compota funcionar devia aplicá-la e ósdespois pôr o marido a lamber, “Crescem-tos pelos e o tê marido fica saciado já que tod’ágente sabe c’abóbora é rica em fibras.”

 

 

P.S.: Peço desculpa pelo prutuguês português... foi a única forma que arranjei de respeitar o limite das 400 palavras.

P.S.2: O Peludinhas com Gostos é um blog verdadeiro com o qual tive a infelicidade de me cruzar enquanto procurava locais para depilação a laser.

A Bla bla bla não é adepta desta pratica e, a promover algum grupo, seria o Peladinhas com Gosto 

Mas nada contra, sou uma pessoa sem preconceitos, pelo que para os interessados no peludinhas com gosto deixo o link aqui

 

 

Bla bla bla

18
Out19

Vamos falar de... Desafio dos Pássaros #6

Escreve uma história romântica baseada no clássico "O Amor, uma cabana… e um frigorífico"


Bla bla bla

 

Quando o meu marido me disse que a festa dessa noite era num sítio chamado Cabana do Amor fiquei logo com a pulga atrás da orelha.

Imaginei logo uma vivenda decrepita nos arredores de Lisboa, a decoração interior em tropical reles, palmeiras de plástico, lanternas de papel, conchinhas e estrelas do mar… Imaginei os convivas de sunga, camisas havaianas abertas, bikinis para o estridente.

 

Apesar de as gerências, os organizadores e até mesmo o Ricardo Champalimaud, costumarem ter mais tato, cuidado e gosto a escolher os locais, temas e nomes destas festas, malogrado o nome escolhido, não ia ser desta vez que haveria de correr mal.

 

As coordenadas GPS indicaram que a Cabana do Amor  ficava próxima duma praia da Costa da Caparica… humm…

Quando chegámos ao nosso destino estávamos num grande descampado de areia, não muito longe da praia, onde já estavam estacionados vários carros.

Tochas acesas indicavam o caminho a seguir.

Nunca me passou pela cabeça que a cabana fosse tão literal já que não passava disso mesmo, um barraco de madeira entre as dunas e à beira da praia que, provavelmente, durante o dia vendia gelados Olá a criancinhas e imperiais aos paizinhos.

 

Ainda pensei em pedir ao marido para voltarmos para trás, mas vi pela gigantesca protuberância nas calças e pelos seus olhos vidrados que já não havia volta a dar e que ele tinha de ir matar aquela fome de lobo.

Entrámos e a coisa já estava animada. Muito calor, muita gente meio despida. O marido teve de ir à casa de banho limpar o suor frio da testa que a antecipação lhe provocava e eu fiquei encarregue de ir buscar bebidas para o refrescar.

Perguntei a um moço que passava onde é que ficava o bar e com um sorriso de escárnio respondeu-me apontando há ali um frigorífico.

Já ia a pensar que não queria saber, o marido bem que podia estrebuchar, ali é que eu não ficava. Bebia qualquer coisa e íamos embora.

Passo a cortina onde o rapaz tinha indicado que estaria o frigorífico a desejar que pelo menos naquela espelunca houvesse vodka. Abro a porta do frigorífico e deparo-me com um frigorífico repleto de embalagens de lubrificantes e dildos de vários tamanhos, formas e feitios.

Agarrei no marido e fugi dali para fora a barafustar… Amor e uma cabana ainda vai lá mas um frigorífico?! Já foi longe de mais!

 

 

Bla bla bla

11
Out19

Vamos falar de... desafio dos pássaros #5

Estás na fila para o purgatório e Hitler está à tua frente. Ninguém o quer aceitar e a fila não anda


Bla bla bla

 

O Inferno sempre me pareceu mais apelativo que o Paraíso.

Não pelo calor, que eu até gosto de temperaturas mais amenas, mas principalmente porque imagino o Céu com muita paz, muita calma e tranquilidade e isso é tudo demasiado ZEN para o meu espírito acelerado e inquieto e só de pensar nisso começa-me a dar comichão.

Além disso, sempre disse que, quando morresse queria ir para o Inferno, já que se fosse para o Paraíso com certeza não ia conhecer ninguém.

(Não se armem em Santos que vocês também vão lá parar todos!)

Portanto estou mais que conformada com essa realidade.

 

 

O que eu não esperava é que o Purgatório fosse uma segunda versão da sala de espera do Hospital Amadora-Sintra num domingo de inferno, perdão, inverno.

Fodassse!!! Até na merda do purgatório há filas até ao caralho!?!

Bem, no fim da fila é que eu não ia ficar!

Avisei uns quantos que a Carla Kynky estava no dogging atrás de uma nuvem e foi vê-los a correr que nem cães…

 

Exceto um…

… e quem foi o único que ficou ali a fazer fila?

O cabrão do Hitler.

 

 

- Oh Adolfinho? Tu não vais espreitar a Carla a levar com eles todos ao mesmo tempo?

- Que horrorrrr! Que nojo! Essa mulher deve ser um poço de doenças!

- Olha lá não te armes em esquisitinho que eu bem sei que tu gostavas de te banhar em merda! Vi num programa do DiscoveryChannel que tu eras um coprofílico!

O cabrão corou, ficou vermelho como um tomate, mas não me contrariou.

 

Aquele bigodinho rançoso começou a dar-me vómitos e pensei que não queria ter de passar a minha eternidade a deparar-me com as fuças dele. E foi então que me ocorreu…

- Oh Donald, perdão, Adolf! Tu não queres ir para o Paraíso?

- Querer querrrro mas o S.Pedro não me quer lá.

- Oh meu! Tu convenceste 60 milhões de alemães a cometerem genocídio, não consegues convencer um santo careca?

- Mas o que é que eu digo?

- Olha, ouvi dizer que os loucos vão todos para lá a julgar pelo que escreveu o Gil Vicente, podias tentar alegar insanidade.

- Sim… sempre me disseram que eu era meio louco… mas e se não resultar?

- Se não resultar lembra-lhe que tu é que lhe encheste o estaminé!!!

Não fosses tu e estava o Paraíso às moscas!

 

 

Bla bla bla